|cinema| Apostas cinematográficas para 2009 (II)
Mudei o nome da série de “Promessas cinematográficas para 2009″ para “Apostas [...]“. Se eu não avisasse ninguém notaria e eu também não sei direito porque o antigo título me incomodova tanto, mas assim fica claro que ninguém está prometendo nenhuma obra prima, são apenas minhas apostas (a quem interessar possa) de produções em que eu “boto fé” seja pela equipe técnica, pelos diretores, roteiristas ou atores, seja pela própria estória ou críticas positivas que eu tenha lido na mídia especializada.
Os dois filmes do primeiro post da série que tive oportunidade de assistir foram “A troca” e ” O curioso caso de Benjamim Button”. Nenhum deles respondeu as minhas altas espectativas, porém também não posso afirmar que tenham me decepcionado. São duas histórias extremamente bem contadas, mas com uma eficiência cerebral que não lhes permite maior brilho. Achei exagero as 13 indicações de “Benjamim” e meio injusto Eastwood ter ficado de fora na disputa de melhor diretor, embora Angelina Jolie realmente merecesse concorrer entre as melhores atrizes pela contenção de sua atuação em “A Troca”. O Oscar, no fim, não serve de bom termômetro pra nada. Na minha opinião é mais uma loteria com maior histórico de injustiças e piadas do que merecidas premiações.
Cortando o papo furado e voltando ao objetivo principal do post, seguem mais algumas das minhas apostas:
Milk
Dizem que esse é o melhor filme de Gus van Sant nos últimos anos. Desde Gerry (2002) o diretor vinha adotando uma forma interessante de contar estórias: a câmera acompanhava os personagens principais realizando tarefas corriqueiras do dia-a-dia, jogando conversa fora em longos (não raros longuíííssimos) planos sequência (na dúvida vai sem hífen) até que nos encaminhasse para um final, esse sim factual e frequentemente trágico. Era a construção do climax dramático através de acontecimentos banais, mas filmados com grande beleza e naturalismo, fazendo com que o espectador convivesse durante algum tempo com os personagens para que depois pudesse julgar suas atitudes (o diretor isentava-se habilmente dessa tarefa). Milk, no entanto, como pode-se observar no trailer, utiliza uma estrutura bem mais dinâmica (e convencional) para contar a história real do político americano Harvey Bernard Milk, gay assumido que deu visibilidade a luta pelos direitos dos homossexuais depois de ser eleito para um cargo (equivalente ao de vereador) na prefeitura de San Francisco, Califórnia. Van Sant abre mão de seu experimentalismo narrativo mas não se curva em reverência ao retratado, algo sempre bastante perigoso e frequente em cinebiografias. O filme estreia em terras tupiniquins em 6 de fevereiro e (só pra não perder o costume) recebeu 8 indicações ao Oscar, entre elas: direção, filme, montagem e ator principal para Sean Penn.
Quem quer ser um milionário?
(Aparentemente não é possível incorporar o trailer do filme aqui, mas você pode assisti-lo no youtube acessando o link http://www.youtube.com/watch?v=AIzbwV7on6Q)
Outro filme que vem recebendo muitas indicações (10 para Oscar e vencedor de 4 Globos de Ouro) e ótimas críticas é “Quem quer ser um milionário?” de Danny Boyle, que desde Trainspotting (1996) estava nos devendo um bom filme. Eis a história de um garoto favelado que é acusado de trapacear ao acertar todas as respostas de uma espécie de “Show do Milhão” indiano e que, depois de preso, revela passagens de sua vida que explicam seu desempenho extraordinário. Espera-se aqui a mesma intensidade e virtuosismo ( no bom sentido) com que Boyle narrou a história dos viciados em heroína no filme de 96, qualidades que não encontrei em nenhuma outra película do diretor, mas que veem despertando ótimas reações (e boas lembranças) nessa última produção. Infelizmente teremos que esperar até 6 de março pra ver se o filme é realmente tão bom quanto parece.
Palermo Shooting
Para não contradizer meu supracitado desprezo pelo Oscar, vou apostar aqui em um filme que não recebeu nenhuma indicação. Palermo Shooting, inclusive, não foi bem recebido pela crítica, exceto em elogios a fotografia e trilha sonora hypada. Dizem as más línguas que Wim Wenders já não consegue manter o mesmo nível de discussão filósofica ao imergir na psicologia e na alma de seus personagens, como fez em ” Paris, Texas” (1984) e “Asas do Desejo” (87) (a refilmagem hollywoodiana, certamente bem mais rasa, acabou fazendo muito sucesso e atende pelo título “Cidade dos Anjos”). A sinopse de seu mais recente filme, porém, revela que ainda não desistiu: em viagem a Palermo, o fotógrafo Finn é perseguido por um sujeito que tenta atingi-lo com flechas. Finn passa a suspeitar que o perseguidor é uma representação do seu inconsciente para a Morte. Palermo Shooting é um filme que se credencia a constar nessa lista apenas pela assinatura de seu realizador, um dos diretores que mais admiro. Os filmes de Wenders sempre me impressionaram não só pela riqueza de suas discussões sobre o ser humano, como também pela força de sua narrativa visual. Ele é, antes de tudo, um esteta, e se já não tem a capacidade de nos confrontar com nós mesmos nas projeções de suas películas, fica a certeza de que esse filme, previsto pra estrear no início de fevereiro, nos renderá no minimo belas imagens.
Foi Apenas Um Sonho
O casal que protagonizou uma das maiores piadas sem graça da história do Oscar (os 11 prêmios de Titanic em 98 ) volta a se encontrar para encenar uma história de amor bem menos açucarada do que aquela que teve seu fim com o navio submerso. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet intepretam o casal Frank e April, que veem seu relacionamento apaixonado afogar (não resisti ao trocadilho) em um casamento que parece não resistir a rotina. Sam Mendes, diretor do filme, já mostrou que consegue ir fundo ao desmascarar o american way of life e revelar a frustração de uma família de classe média em “Beleza Americana” (99). Seu filme anterior “Soldado Anônimo” (2005) é uma produção interessante sobre a destruição aniquiladora que a guerra produz em seus combatentes, mesmo naqueles que não chegam a dar sequer um tiro. Os filmes de Mendes merecem, no mínimo, a mesma atenção que ele parece empregar pra contar suas estórias da maneira mais honesta possível. Estreia no dia 30 de janeiro.
-por: dn.






