|design| …e literatura e artes plásticas
A Companhia das Letras detém há 20 anos os direitos para publicação da obra de José Saramago no Brasil. Ele é um dos primeiros autores de seu extenso catálogo de publicações, que iniciam no mesmo ano – 1988.
Chama atenção nos mais de 20 livros do autor lançados pela editora, além da evidente qualidade da prosa de Saramago, o projeto gráfico adotado em suas capas, criações do designer (e artista) gráfico Hélio de Almeida. Utilizei a palavra “criações”, no plural, embora poderia tê-la utilizado no singular, pois repete-se em todos as capas a mesma composição: no topo, o nome do autor escrito em versalete, na parte inferior, em corpo menor, o título da obra em caixa alta, seguido do logo da editora.

Alguns dos livros de Saramago lançados pela Companhia das Letras
O que caracteriza e identifica cada livro é a reprodução, em relevo, de obras do artista plástico brasileiro Arthur Luiz Piza (80 anos completados em 2008). Piza vive em Paris desde 1951 e tornou-se especialista em gravuras e relevos utilizando como suportes papel e metal, entre outros. Considerado um dos maiores artistas brasileiros da atualidade, participou da Bienal de São Paulo; da Documenta de Kassel, e da Bienal de Veneza além de ter seu trabalho em acervos de museus como o Museum of Modern Art (MoMA) e o Guggenheim Museum, em Nova York, a Bibliothèque Nationale de France e o Musée National d’Art Moderne Centre Georges Pompidou, em Paris.
É interessante notar que Hélio de Almeida escolhe as obras que ilustram os livros de Saramago a partir do acervo de Piza, ou seja, elas não são encomendadas e, dessa forma, cria-se um diálogo interessante entre a criação desses dois grandes artistas: a capa, ao mesmo tempo que serve como moldura para a obra de Arthur Luiz Piza (valorizada pela impressão em relevo que simula as características originais do suporte) ilustra e identifica o texto do autor português, ampliando seus significados. O padrão gera a identificação quase imediata por parte dos leitores, que encontram facilmente os livros expostos nas livrarias (o contraste criado entre a reprodução da obra e da tipografia elegante sobre o fundo branco ajuda) além de dar ao conjunto um caráter de coleção: cria o desejo de obter todos eles.
As únicas exceções são as edições de bolso, que seguem o padrão editorial do selo Companhia de Bolso e o livro infantil “A maior flor do mundo”, pelo selo Companhia das Letrinhas, que tem projeto gráfico direcionado ao seu público-alvo.
p.s.: Que indelicadeza, esqueci de me apresentar! Me chamo Daniel, mas pode me chamar de dan (se for da família), dani (se for um amigo) ou dani-dani (se for o Paulinho). Há algum tempo sou leitor diário de blogs, mas a certeza absoluta de que ninguém no mundo estaria interessado no que tenho a dizer sempre me distanciou da idéia de criar um. Graças ao incentivo do Paulinho e do convite (bastante incentivador) da Ni (que agora assina afm) acabo de escrever meu primeiro post, que dedico a eles, acompanhado de meu sincero agradecimento (:
- por dn.