Pelo twitter meu querido amigo @brunoaw_e mandou as seguintes palavras, “lidas por aí”:
“Se a culpa te consome, insone, debulha seus atos e destrói virtude por virtude… Então é que se julga, se mente. Se oculta tudo que sente.”
Deixo aqui essas três linhas para que, às vezes, eu volte aqui e leia novamente, sempre que algo semelhante parecer inexplicável.
“Não existe investimento seguro. Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa, e seu coração certamente vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sombrio, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai se tornar indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa à tragédia, ou pelo menos ao risco de uma tragédia, é a condenação. O único lugar além do Céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.”
C.S. Lewis – “Os quatro amores”
Por mais que muitos odeiem textinhos citados daqui ou dali, não podemos negar o quão verdadeiro a maioria é. (Falarei sobre a importância dos clichês em nossas vidas, em um próximo post, com um pouco mais de inspiração para escrever.) O que eu queria mesmo dizer (embora eu ache que o textinho ali fala claramente o que precisa ser dito) é que, quando li esse, comecei a pensar sobre o que o medo faz com as pessoas. Falam os poetas que é melhor amar e sofrer do que não amar nunca… um amor que dura pouco vale mais do que não amar…não sei se é tudo tão poético assim, mas realmente, o friozinha na barriga faz falta. Naturalmente, estamos sempre tentando nos proteger. Não percebemos, porém, quão ínfima é a linha entre a proteção e a prisão. E assim, criamos muros. Muros e obstáculos, que até mesmo o mais bravo dos guerreiros desistiria de tentar ultrapassar. Então nos isolamos, culpando o guerreiro pela solidão que a sua desistência nos causa, esquecendo quem pacientemente amontoou os tijolos.
-por afm.
Num momento pertinente, eis que recebo um texto do André Lagosta Rodrigues sobre o tal frio na barriga. O tipo de texto que tu pensa “preciso dividir com alguém”, pois com certeza mais pessoas vão se identificar. O tipo de texto que te faz pensar, sorrir, concordar, porque alguém descreveu exatamente o que você sente/sentiu/umdiavaisentir e não encontrava palavras pra explicar.
Com a devida permissão, eis o texto aqui:
“Não existe sensação mais genérica que o frio na barriga. Você já percebeu o quanto esse sensação está presente nas diversas situações?
Antes de uma prova importante o frio na barriga vem junto com a incerteza. Quando o carro passa por uma saliência não há quem negue o “ui” do frio na barriga, vindo da surpresa. Ou ainda mais intensamente, numa montanha russa, junto com a adrenalina. E quando andamos sozinhos pela madrugada e imaginamos ter alguém a espreita sentimos o frio na barriga do medo.
Mas o mais curioso é que, apesar de sentirmos essa sensação durante toda nossa existência, há quem procure a vida inteira pelo frio na barriga. Eu explico: é o frio na barriga da paixão. É o mais especial e traiçoeiro de todos eles.
Quem não gosta da sensação de acordar e pensar naquele amor secreto? É o maior número de pensamentos bons por segundo, você se lembra do sorriso, da voz e de tudo o que o seu objeto de desejo traz de bom. Não há outra possibilidade: friozinho na barriga. Logo após a avalanche passional, você começa a tentar racionalizar aquela paixão para que ela não fique sempre no plano do imaginário. E é nesse estágio que se pensa em como pode ser correspondido, você começa a lembrar de cada situação de proximidade, toque, troca de olhares, sorrisos.
Mas os frios na barriga não ficam somente no campo do imaginário, é quando você vê a pessoa que ocupa todos os seus pensamentos que ele se torna realmente intenso e traiçoeiro. Você fica tão distraído com aquela sensação que não consegue ser você mesmo, o frio passa a funcionar como um cinto de segurança. Ele te trava.”
Quem disse que lagostas não têm sentimentos?
-por: afm.