|música| Roberta Sá
E nada mais justo que o primeiro post musical seja dedicado à ela: Roberta Sá.

A natalense, de apenas 28 anos, impressiona com sua voz e ousadia. Desde pequena apaixonada por música, cantava em frente ao espelho músicas de Chico Buarque, Tom Jobim… grandiosos! Aos 16 anos, fez sua primeira apresentação em palco cantando ” Qualquer Coisa” de Caetano Veloso. Aos 20, aconselhada pela professora Vera Maria do Canto e Melo, se inscreveu para testes musicais. Passou e foi parar no programa FAMA, onde conheceu Felipe Abreu, preparador vocal, que se tornou fundamental na carreira da cantora. Mesmo assustada com as luzes, palcos e câmeras, encarou e foi em frente. “Não costumo abandonar minhas decisões, por mais dolorosas e difíceis que elas sejam” diz Roberta, com personalidade. E a gente agradece!
E a participação de Felipe Abreu na carreira da cantora é incontestável: apresentou à ela Rodrigo Campello, com quem começaria a produzir uma demo, lá por 2003. Bateu em diversas gravadoras, e pra sua surpresa (mas não nossa!) recebeu resposta de quase todas. Nada mais justo. E lá estava ela, iniciando sua carreira sem empresário, sem gravadora, e já uma música na novela das 8.
Produziu seu primeiro cd em 2004 – Braseiro – que conta com a participação de pesados nomes como Ney Matogrosso e os veteranos do MPB-4. A cantora se declara “Acho que o repertório de Braseiro é uma declaração de amor à música popular brasileira. Pelo menos a que eu conhecia até aquele momento. É o álbum de memórias musicais afetivas, do qual me orgulho muito. “
Mais madura, produziu seu segundo cd- Que belo estranho dia para se ter alegria, trechinho da bossa nova de Lula Queiroga , ” belo estranho dia de amanhã” - com a participação de Lenine (faixa Fogo e Gasolina), Carlos Malta, Pedro Luiz e Pife Muderno ( faixa Girando na Renda), Hamilton de Holanda ( em Novo Amor), Zé da Velha e Silvério Pontes (Interessa).
Recentemente, Roberta ganhou o disco de ouro em mérito à marca de 50 mil cópias vendidas ( uma delas é minha, claro). Mostrando mais uma vez, que embora sua música não se dirija a massas, não seja feita por fórmulas ou pré-definições da moda da indústria fonográfica, se destaca e atinge essa rara marca até mesmo num momento de decadência e descrédito do setor. O que isso significa? quando a música é boa (e o cd não é caro), a galera compra. :)
E o que faz a música de Roberta Sá tão encantadora? Além de toda a delicadeza e feminilidade, do lirismo e seu carisma, Roberta não teme dar sua voz à grandes canções antigas, como “Alô, Fevereiro” feita em 1972 por Sidney Miller, ou “Interessa” de 1951, por Linda Batista. Não esquecendo também de sua composição, “Janeiros”, com Pedro Luiz. E como disse Hugo Sukman, em agosto de 2007, “o resultado é belo e estranho como sempre foi bela e estranha a música brasileira”.
E finalizando, pra quem ainda não teve o prazer de ouvir, deixo um vídeo de Roberta Sá cantando “Girando na Renda” com Ney Matogrosso.
Que bela estranha forma de contagiar.
- por afm.