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|cinema| Apostas cinematográficas para 2009 (II)

Janeiro 25, 2009 1 comentário

Mudei o nome da série de “Promessas cinematográficas para 2009″ para “Apostas [...]“. Se eu não avisasse ninguém notaria e eu também não sei direito porque o antigo título me incomodova tanto, mas assim fica claro que ninguém está prometendo nenhuma obra prima, são apenas minhas apostas (a quem interessar possa) de produções em que eu “boto fé” seja pela equipe técnica, pelos diretores, roteiristas ou atores, seja pela própria estória ou críticas positivas que eu tenha lido na mídia especializada.

Os dois filmes do primeiro post da série que tive oportunidade de  assistir foram “A troca”  e ” O curioso caso de Benjamim Button”. Nenhum deles respondeu as minhas altas espectativas, porém também não posso afirmar que tenham me decepcionado. São duas histórias extremamente bem contadas, mas com uma eficiência cerebral que não lhes permite maior brilho. Achei exagero as 13 indicações de “Benjamim” e meio injusto Eastwood ter ficado de fora na disputa de melhor diretor, embora Angelina Jolie realmente merecesse concorrer entre as melhores atrizes pela contenção de sua atuação em “A Troca”. O Oscar, no fim, não serve de bom termômetro pra nada. Na minha opinião é mais uma loteria com maior histórico de injustiças e piadas do que merecidas premiações.

Cortando o papo furado e voltando ao objetivo principal do post, seguem mais algumas das minhas apostas:

Milk

Dizem que esse é o melhor filme de Gus van Sant nos últimos anos. Desde Gerry (2002) o diretor vinha adotando uma forma interessante de contar estórias: a câmera acompanhava os personagens principais  realizando tarefas corriqueiras do dia-a-dia, jogando conversa fora em longos (não raros longuíííssimos) planos sequência (na dúvida vai sem hífen) até que nos encaminhasse para um final, esse sim factual e frequentemente trágico. Era a construção do climax dramático através de acontecimentos banais, mas filmados com grande beleza e naturalismo, fazendo com que o espectador convivesse durante algum tempo com os personagens para que depois pudesse julgar suas atitudes (o diretor isentava-se habilmente dessa tarefa). Milk, no entanto, como pode-se observar no trailer, utiliza uma estrutura bem mais dinâmica (e convencional) para contar a história real do político americano Harvey Bernard Milk, gay assumido que deu visibilidade a luta pelos direitos dos homossexuais  depois de ser eleito para um cargo (equivalente ao de vereador) na prefeitura de San Francisco, Califórnia. Van Sant abre mão de seu experimentalismo narrativo mas não se curva em reverência ao retratado, algo sempre bastante perigoso e frequente em cinebiografias. O filme  estreia em terras tupiniquins em 6 de fevereiro e (só pra não perder o costume) recebeu 8 indicações ao Oscar, entre elas: direção, filme, montagem e ator principal para Sean Penn.

Quem quer ser um milionário?

(Aparentemente não é possível incorporar o trailer do filme aqui, mas você pode assisti-lo no youtube acessando o link http://www.youtube.com/watch?v=AIzbwV7on6Q)

Outro filme que vem recebendo muitas indicações (10 para Oscar e vencedor de 4 Globos de Ouro) e ótimas críticas é “Quem quer ser um milionário?” de Danny Boyle, que desde Trainspotting (1996) estava nos devendo um bom filme. Eis a história de um garoto favelado que é acusado de trapacear ao acertar todas as respostas de uma espécie de “Show do Milhão” indiano e que, depois de preso, revela passagens de sua vida que explicam seu desempenho extraordinário. Espera-se aqui a mesma intensidade e virtuosismo ( no bom sentido) com que Boyle narrou a história dos viciados em heroína no filme de 96, qualidades que não encontrei em nenhuma outra película do diretor, mas que veem despertando ótimas reações (e boas lembranças) nessa última produção. Infelizmente teremos que esperar até 6 de março pra ver se o filme é realmente tão bom quanto parece.

Palermo Shooting


Para não contradizer meu  supracitado desprezo pelo Oscar, vou apostar aqui em um filme que não recebeu nenhuma indicação. Palermo Shooting, inclusive, não foi bem recebido pela crítica, exceto em elogios a fotografia e trilha sonora hypada. Dizem as más línguas que Wim Wenders já não consegue manter o mesmo nível de discussão filósofica ao imergir na psicologia e na alma de seus personagens, como fez em ” Paris, Texas” (1984)  e “Asas do Desejo”  (87) (a refilmagem hollywoodiana, certamente bem mais rasa, acabou fazendo muito sucesso e atende pelo título  “Cidade dos Anjos”). A sinopse de seu mais recente filme, porém, revela que ainda não desistiu: em viagem a Palermo, o fotógrafo Finn é perseguido por um sujeito que tenta atingi-lo com flechas. Finn passa a suspeitar que o perseguidor é uma representação do seu inconsciente para a Morte. Palermo Shooting é um filme que se credencia a constar nessa lista apenas pela assinatura de seu realizador,  um dos diretores que mais admiro. Os filmes de Wenders sempre me impressionaram não só pela riqueza de suas discussões sobre o ser humano, como também pela força de sua narrativa visual. Ele é, antes de tudo, um esteta, e se já não tem a capacidade de nos confrontar com nós mesmos nas projeções de suas películas,  fica a certeza de que esse filme, previsto pra estrear no início de fevereiro,  nos renderá no minimo belas imagens.

Foi Apenas Um Sonho


O casal que protagonizou uma das maiores piadas sem graça da história do Oscar (os 11 prêmios de Titanic em 98 ) volta a se encontrar para encenar uma história de amor bem menos açucarada do que aquela que teve seu fim com o navio submerso. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet intepretam o casal Frank e April, que veem seu relacionamento apaixonado afogar (não resisti ao trocadilho) em um casamento que parece não resistir a rotina. Sam Mendes, diretor do filme, já mostrou que consegue ir fundo ao desmascarar o american way of life e revelar a frustração de uma família de classe média em “Beleza Americana” (99). Seu filme anterior “Soldado Anônimo” (2005) é uma produção interessante sobre a destruição aniquiladora que a guerra produz em seus combatentes, mesmo naqueles que não chegam a dar sequer um tiro. Os filmes de Mendes merecem, no mínimo, a mesma atenção que ele parece empregar pra contar suas estórias da maneira mais honesta possível. Estreia no dia 30 de janeiro.

-por: dn.

|cinema| Apostas cinematográficas para 2009 (I)

Janeiro 1, 2009 5 comentários

2008 já era e eu não lembro de ter assistido a nenhum filme brilhante, nos cinemas. Confesso que não fui um espectador muito assíduo dos lançamentos desse último ano, diante das ofertas, acabei optando por assistir ou rever os clássicos. O ano que começa, entretanto, pode trazer belas surpresas cinematográficas. Pretendo fazer uma série de posts comentando os filmes que considero boas promessas a medida que as datas de estréia dos mesmos forem se aproximando. Aqui seguem minhas primeiras apostas:

O Curioso Caso de Benjamin Button

Sabe aquele texto, atribuído a Chaplin, que de tempos em tempos você recebe por e-mail (em arquivos Power Point ¬¬) discorrendo sobre como a vida seria mais interessante se começasse com a gente velhinho e terminasse na hora da orgasmo que nos concebe?  É mais ou menos o que acontece em O Curioso Caso de Benjamin Button, filme de David Fincher, embora o drama seja mesmo baseado no livro homônimo de F. Scott Fitzgerald. Brad Pitt interpreta o personagem do título que, em 1918, nasce com oitenta e poucos anos e rejuvenesce a medida que  o tempo passa. O filme, que é estrelado ainda por Cate Blanchett e Tilda Swinton, estreou nos Estados Unidos no fim de dezembro e chega as telas brasileiras na segunda quinzena de janeiro. A história fantástica, o talento de Fincher e o trailer belíssimo fizeram com fosse incluído nessa lista.

A Troca


Clint Eastwood tem se dedicado bastante à carreira de diretor nos últimos anos. Bom pra gente, que vai ter a oportunidade de conferir mais dois trabalhos do cara em 2009 (um terceiro, The Humam Factor, que está em fase de pré-produção e deve estrear em dezembro nos EUA, dificilmente chegará ao país antes que o ano termine). A troca estréia por aqui em 9 de janeiro e conta a história real de uma mãe que, após o resgate do filho sequestrado (adeus, trema :/), passa a suspeitar que tenham lhe entregado a criança errada. O drama tem roteiro de J. Michael Straczynski e é estrelado por Angelina Jolie (ainda estou tentando descobrir porquê não a reconheci na primeira vez que assisti ao trailer: a voz, a maquiagem de época, ou o problema é comigo mesmo?)

Gran Torino


O outro lançamento, Gran Torino, conta também com a atuação de Eastwood, que interpreta Walt Kowalski, veterano da Guerra da Coréia rancoroso e cheio de preconceitos com a vizinhança composta por imigrantes asiáticos. Kowalski passa por uma redenção ao defender a família de chineses vizinha às investidas de uma gangue que os atormenta. Esse está previsto pra estrear dia 6 de fevereiro.

Budapeste (ainda sem trailer)

Mais uma incursão de Chico Buarque na literatura vai parar nas telas do cinema (Estorvo e Benjamim foram adaptados em 2000 e 2003, respectivamente). Agora é a vez do brilhante Budapeste, lançado pela Companhia das Letras em 2003, filmado pelo prestigiado diretor de fotografia Walter Carvalho, em sua primeira direção solitária em filmes de ficção (co-dirigiu Cazuza – O Tempo Não Pára (2004) e o ótimo documentário A Janela da Alma (2001). Nele, o ghost writer José Costa vê sua vida mudar completamente depois de um pouso imprevisto na cidade húngara, onde conhece e se apaixona por Kriska e aprende a “única língua que o diabo respeita”. Deve estrear no início de fevereiro e tem o Leonardo Medeiros (tá em todas!) como protagonista.

Em tempo, deixo aqui meus votos para que 2009 seja brilhante não apenas em realizações cinematográficas: que prospere também nossa vida pessoal e profissional. Um feliz ano novo a todos!

- por dn.

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|cinema| abertura de filmes

Dezembro 30, 2008 3 comentários

Você chega atrasado à sala de exibição. Na tela grande, está sendo projetado o último trailer. Você aproveita a luz clara de algumas cenas para tentar encontrar uma poltrona vazia, equilibrando nas mãos a pipoca e o refrigerante, tomando todo cuidado pra não tropeçar nos degraus.

Quando finalmente senta, lembra-se de desligar o celular, as senhoras na fileira de trás ainda conversam sobre o pobre do cachorro do vizinho que ficou perneta. Seus pensamentos palpitam, a excitação do shopping lotado lá fora ainda não te abandonou.

Entra então a seqüência de abertura, os nomes dos atores principais dançando na tela, a trilha sonora dando o compasso… ela é a vigília que antecede o sonho coletivo que é o filme projetado na tela, proporcionado pela ilusão do cinema.

A abertura, se causa boa impressão, já lhe serve de ponte para história que segue. O que falar da animação que abre A pantera cor de rosa (1963)? A música (agora um clássico) de Henry Mancini, a personagem em desenho que traduz a alma do inspetor Clouseau, imortalizado por Peter Sellers… Melhor do que falar qualquer coisa é revê-la:

O uso dos créditos de abertura de maneira criativa, substituindo a exibição clássica dos créditos sobre fundo preto ou como plano de fundo da seqüência também vem sendo utilizados com bastante freqüência (aproveite pra usar o trema enquanto é tempo :/). Um belo exemplo é a abertura de Durval Discos (2002) que apresenta os realizadores através de um tour pela vizinhança, até chegar na saudosa loja que dá nome ao filme:

Se você gostou dessas aberturas e gostaria de ver ou rever outras, a Smashing Magazine escolheu 30 seqüências de aberturas inesquecíveis e o The Art of the Title é um site especializado nisso. Vale a pena conferir!

- por dn.

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